
Dia 4 de Agosto
A data de 4 para o meu regresso tinha sido escolhida há bastante tempo. Subir a Costa Vicentina no verão pode ser tarefa dura. A nortada que fustiga a zona e que provoca vaga, pode tornar a tarefa de navegar para Norte complicada.
Há anos que uso um algoritmo que não me tem deixado ficar mal: Depois da lua nova, no dia em que a maré na ria de Aveiro, junto à Costa Nova, está cheia perto das 19 horas, costumam estar reunidas as condições para ter bom tempo com vento fraco. Assim escolhi o 4 de Agosto e apesar dos valores não abonatórios das previsões a longo prazo dos especialistas meteorológicos, mantive a data. Com o decorrer dos dias estes mesmos especialistas foram chegando à minha conclusão.
A data de 4 para o meu regresso tinha sido escolhida há bastante tempo. Subir a Costa Vicentina no verão pode ser tarefa dura. A nortada que fustiga a zona e que provoca vaga, pode tornar a tarefa de navegar para Norte complicada.
Há anos que uso um algoritmo que não me tem deixado ficar mal: Depois da lua nova, no dia em que a maré na ria de Aveiro, junto à Costa Nova, está cheia perto das 19 horas, costumam estar reunidas as condições para ter bom tempo com vento fraco. Assim escolhi o 4 de Agosto e apesar dos valores não abonatórios das previsões a longo prazo dos especialistas meteorológicos, mantive a data. Com o decorrer dos dias estes mesmos especialistas foram chegando à minha conclusão.
A opção de fazer essa mesma costa de noite, é uma solução já testada e que se tem mostrado válida, uma vez que de noite o vento tem tendência a acalmar.
A opção de vir sozinho resultou de vários condicionalismos. A bordo, como equipa, terá que vir alguém que adivinhe os nossos pensamentos. Estão nestas condições o Miguel, o Barreto e o Nuno. Todos eles, nesta altura estavam indisponíveis. Ainda quiseram arranjar-me um casalinho novo, amantes das motos de água mas que nunca tinham andado à vela, que eu liminarmente recusei face ao exposto. Seria um estorvo em vez de uma ajuda.
Por outro lado, eu estava suficientemente “amarinado” depois destes dias todos a bordo e andar sozinho tem sido o que tenho feito toda a vida, pelo que tal etapa não me fazia confusão. Conheço bem o barco, sei dar nós atrás das costas, movimento-me bem a bordo, não enjoo, e a regulação das velas, mesmo na plena escuridão da noite, faço-o pelo ouvido e por saber onde estão as coisas. E foi o caso, pois tive que içar e arrear as velas várias vezes, incluindo o rizar, que tudo fiz direitinho sem pressas nem atrapalhações
A opção de vir sozinho resultou de vários condicionalismos. A bordo, como equipa, terá que vir alguém que adivinhe os nossos pensamentos. Estão nestas condições o Miguel, o Barreto e o Nuno. Todos eles, nesta altura estavam indisponíveis. Ainda quiseram arranjar-me um casalinho novo, amantes das motos de água mas que nunca tinham andado à vela, que eu liminarmente recusei face ao exposto. Seria um estorvo em vez de uma ajuda.
Por outro lado, eu estava suficientemente “amarinado” depois destes dias todos a bordo e andar sozinho tem sido o que tenho feito toda a vida, pelo que tal etapa não me fazia confusão. Conheço bem o barco, sei dar nós atrás das costas, movimento-me bem a bordo, não enjoo, e a regulação das velas, mesmo na plena escuridão da noite, faço-o pelo ouvido e por saber onde estão as coisas. E foi o caso, pois tive que içar e arrear as velas várias vezes, incluindo o rizar, que tudo fiz direitinho sem pressas nem atrapalhações
Mas eu não vinha sozinho a bordo.
Em primeiro lugar, vinha comigo “o preto”, computador dedicado, que através de uma panóplia de instrumentos comunica comigo e que toma conta do leme entre outras coisas;
Depois, o “Roca Control”, sistema de vigilância do tráfego marítimo, a funcionar desde Janeiro e que me vinha a monitorar desde a Ponta da Piedade, que me perdeu junto a S. Vicente, talvez porque não tivesse percebido que aí passei a andar à vela e como tal abandonei a rota directa para Sines. Voltou a contactar-me e tudo ficou esclarecido e fiquei de novo sob vigilância;
Os meus “correspondentes em terra”, com uma especial referência para a Teresa, impecável na sua função, e que até às quatro e meia da manhã me contactou para saber como iam as coisas a bordo a essa hora;
O “dispositivo de homem morto”, que de meia em meia hora me pedia a confirmação de que eu ia acordado;
O firmamento, totalmente estrelado e sem lua, com uma via láctea como há muito não via e onde contei 3 estrelas cadentes. Tal profusão era suficiente para me iluminar o caminho e tudo o resto a bordo;
E por fim a Antena 2.
Uma novidade para mim: A partir das 4 da manhã fui surpreendido por um fenómeno de que já tinha ouvido falar, mas que nunca tinha vivido. Numa noite impecável parecia-me que já estava mesmo a chegar a Sines. As chaminés da Petrogal e da EDP quase ali, as luzes do Porto de Sines, o casario bem recortado, os barcos ancorados no exterior do porto todos iluminados, os tanques de combustível, tudo ali à mão de semear. Mas os instrumentos davam-me junto a Vila Nova de Mil Fontes, portanto, bastante longe ainda. E a costa aqui tão perto que me fez fazer um bordo para o mar por questões de precaução. Com a chegada da manhã e da claridade do dia, tudo foi de repente parar ao seu devido lugar tendo inclusivamente deixado de ver as casas de Sines.
Numa noite limpa, sem neblina nem humidade, as velas a trabalhar tiveram uma função desconcertante: Condensavam água, que escorria por elas abaixo caindo como chuva no convés como se fosse uma noite de inverno. Tudo ficou molhado e peganhento. Só a mangueirada em Sines resolveu o problema.
Em resumo:
Larguei de Lagos às 11h10 do dia 4.
De Lagos a Sagres, vento zero e mar de azeite. Fui a motor.
De Sagres a S. Vivente, a bordoada do costume, com vento pelos 25 nós e mar cavado. Continuei a motor.
Depois de S. Vicente, o vento passou para valores razoáveis. Passei a andar à vela. Mas o mar estava desagradável: vaga curta e de 2,5 m, um pouco desencontrada – ideal para quem tem tendência a enjoar.
Um pouco acima de Aljezur, à meia-noite e vinte e três, o vento desapareceu. Passei de novo ao motor e recolhi as velas.
Às 4 e 13 da manhã voltou o vento e passei de novo à vela.
Às 8h34 o vento desapareceu outra vez e fui a motor até Sines.
Às 10h16 estava a meter gasóleo no cais do combustível (o novo concessionário deste serviço queria à viva força que eu metesse gasolina sem chumbo 95, pois tinha baralhado as mangueiras. Foi uma sorte eu ter recusado meter gasóleo com uma ponteira verde).
Às 10h21 estava amarrado.
Lavado o barco, tomei um banho e fui dormir. Acordei com o telemóvel. Eram os Torrados, que convenci a aparecerem para um bate papo e para jantarmos juntos pelas tasquinhas da Av. Vasco da Gama, já minhas conhecidas. Aceitaram de bom grado e foi um bom fim de jornada.
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